Fenda vai do boom bap ao pop no EP “Púrpura”, obra que marca o encerramento da mob


Juntas desde 2019, DJ Kingdom, Paige, Mayí, Iza Sabino e Laura Sette formam a Fenda, uma combinação de personalidades que culminam no EP “Púrpura”. A inspiração para o nome partiu da ligação da mob com a potência da personagem Celie, interpretada por Whoopi Goldberg, no filme “A Cor Púrpura” (1985). “Entendemos que todas as músicas tinham uma ligação com a história contada no filme”, explicam. O trabalho chega hoje, 8 de julho, às plataformas de streaming e marca o encerramento do ciclo da Fenda enquanto grupo, um projeto musical idealizado pelo selo, editora e agência mineira MacacoLab – braço da produtora A Macaco. As cinco artistas caminham agora em direção aos respectivos projetos-solo.

Púrpura” contou com produção do beatmaker Coyote Beatz – conhecido por trabalhos com Djonga, com quem Fenda já acumula quatro singles, sendo o último lançamento “Tenta”. “Decidimos compor este EP através dos sentimentos gerados pelos beats, na intenção de criar uma atmosfera única para cada faixa. Assim, chegamos também em um trabalho mais sólido, com as vivências e individualidades de nós cinco como motor essencial pro Púrpura ganhar forma”, conta o grupo.

A faixa que abre o trabalho, “Intro Glow”, carrega a missão de guiar o começo da jornada em uma experiência transformadora, enquanto, a canção seguinte já passa a contornar a sonoridade mais pop. “M.O.B” é a sigla para “Members of Blood” e exalta a união e a parceria entre as integrantes, no mais profundo e verdadeiro sentido de girlgang

CJ Walker”, faixa que completa a primeira metade do EP, faz referência à série “A Vida e a História de Madam C.J. Walker”, em que é narrada a história real da primeira mulher negra milionária norte-americana a conquistar sua própria fortuna: “A ideia foi contextualizar a história de vida dela com a nossa, abordando as dificuldades e os preconceitos de uma mulher preta determinada a alcançar o sucesso”, explica Fenda.

Com o propósito de debater sobre a dificuldade de ser uma mulher preta respeitada em um âmbito econômico, “My Money” também ecoa sobre a importância em garantir seus direitos e lutar por respeito. Essa canção prepara o público para a introspecção da música seguinte, “Mais Um”, que aborda os medos e batalhas do quinteto. Por fim, “Tente Me Ouvir” chega para amarrar todo o contexto do trabalho. 

Com referências a artistas como Akua Naru e Lauryn Hill, “Púrpura” sintetiza o que as integrantes de Fenda construíram até o momento: “Cada uma de nós contribuiu de uma forma bem orgânica nas faixas, doando um pedaço da sua personalidade e timbre vocal para que, como um todo, existam várias camadas”, resume. 

O EP chega como uma forma de eternizar o que esses cinco corpos, muitas vezes excluídos pela sociedade, viveram nos últimos anos de caminhada como coletivo. “Fenda é nossa história, é a nossa vivência, são as nossas individualidades que se cruzam com a história de muitas pessoas por aí”, finaliza o quinteto.

A celebração de todas conquistas que alcançaram juntas se dará com a realização de um último show no dia 16 de julho, no Centro de Referência da Cultura Popular e Tradicional Lagoa do Nado, em Belo Horizonte, Minas Gerais. Os ingressos serão gratuitos. A apresentação sucede uma série de três performances realizadas com recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte

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